Nos últimos dois anos, com a inadimplência elevada, esse segmento vinha perdendo força dentro do balanço da instituição financeira.
Antonio Oliveira Publicado em 29/07/2024, às 12h59
Não é porque está se reaproximando dos patamares históricos de rentabilidade que o Santander Brasil (SANB11) abandonou totalmente sua postura mais conservadora em relação à concessão de crédito sem garantia.
Ainda que empréstimos dessa modalidade tragam retornos maiores às instituições financeiras, por conta do maior risco, a subsidiária do banco espanhol não tem planos de aumentar sua participação em seu portfólio. Pelo contrário.
Não quero demonizar ou colocar uma marca em cima do crédito pessoal, não é isso. Mas o crédito pessoal tem diferentes nuances. Aquele derivado de reorganização [financeira] eu quero diminuir, sim", disse CEO do Santander Brasil, Mario Leão, em coletiva de imprensa sobre os resultados do banco no segundo trimestre de 2024.
De acordo com Leão, o banco não quer depender do crédito pessoal sem garantia para conquistar novos clientes. Além do risco, não é esse o produto que fideliza e torna o Santander o principal banco daquele tomador de empréstimo.
O produto 'clean' [sem garantia] em que eu tenho que concentrar meus esforços para ganhar o que vem junto com o que chamamos de principalidade é o cartão de crédito", detalha o CEO.
A base de clientes no cartão de crédito do Santander Brasil cresceu 6% no segundo trimestre em relação a um ano antes. Na mesma base de comparação, as receitas com cartões expandiram em mais de 13,4% para R$ 1,33 bilhão. Nos últimos dois anos, com a inadimplência elevada, esse segmento vinha perdendo força dentro do balanço da instituição financeira.
Antes da coletiva, na teleconferência com analistas, Leão já tinha respondido que o banco deseja depender menos do crédito pessoal. E ainda que isso comprometa os spreads da instituição financeira, o CEO entende que é possível crescer sendo rentável.
O mix deve derivar para menos risco, mas se isso reduzir o spread, não vamos sofrer. Não vamos abrir mão de crescer com rentabilidade", disse o executivo.
O retorno sobre capital (ROAE) do banco atingiu 15,5% no segundo trimestre, com crescimento de 4,3 pontos percentuais em relação a um ano atrás.
Nossa rentabilidade cresceu percentualmente até mais rápido do que o próprio resultado. É um ciclo de retomada, de nova visão de portfólio e passo consistente na direção certa", disse Leão.
Respondendo à pergunta de um jornalista sobre o impacto reduzido dos resultados do banco nos preços das ações, o CEO disse não direcionar sua gestão para o preço do papel.
Com certeza não estou satisfeito com o preço da ação [...]. Acredito que há uma recuperação importante para acontecer pela frente, não dá para saber quando. Mas direcionalmente, a nossa ação deveria se recuperar, porque as nossas operações merecem", disse Leão.
Cuidar do crédito pessoal é fundamental para manter a saúde financeira. Primeiramente, evite assumir dívidas desnecessárias e priorize o pagamento em dia das contas. Monitore de forma regular seu score de crédito e corrija possíveis erros no seu histórico. Estabeleça um orçamento e mantenha um controle rígido dos gastos.
Use o crédito apenas quando for necessário e planeje-se para pagar a dívida no menor prazo possível. Evite usar o limite total do cartão de crédito para não comprometer a capacidade de pagamento e, consequentemente, sua reputação financeira.
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