FMI reduz crescimento global para 3,1% por causa da guerra, mas eleva previsão do Brasil para 1,9%.
Rita kurles Publicado em 06/05/2026, às 16h48
O Fundo Monetário Internacional revisou para baixo a projeção de crescimento da economia mundial em 2026, reduzindo a estimativa de 3,3% para 3,1%. O principal motivo apontado no relatório é a intensificação dos conflitos no Oriente Médio, que aumentaram a incerteza global e pressionaram mercados estratégicos, como energia e comércio internacional.
Ao mesmo tempo, o documento trouxe uma surpresa positiva para o Brasil, cuja previsão de crescimento foi elevada de 1,6% para 1,9%, indicando um desempenho relativamente mais resiliente em meio ao cenário global adverso.
A escalada de tensões no Oriente Médio tem impacto direto sobre a economia global, principalmente por meio do petróleo. A região concentra uma parte significativa da produção mundial da commodity, e qualquer instabilidade gera volatilidade nos preços.
Esse movimento afeta custos de transporte, energia e produção, pressionando a inflação em diversos países. Como consequência, bancos centrais tendem a manter juros elevados por mais tempo, o que desacelera o crescimento econômico.
O FMI destaca que esse ambiente de incerteza geopolítica é hoje o principal fator de risco para a economia mundial.
A redução na projeção reflete uma combinação de fatores. Além do conflito, o cenário global já vinha sendo impactado por juros elevados, desaceleração em grandes economias e menor dinamismo do comércio internacional.
Com custos mais altos e menor previsibilidade, empresas tendem a adiar investimentos, enquanto consumidores reduzem gastos. Esse efeito em cadeia contribui para um crescimento mais moderado.
A projeção de 3,1% ainda representa expansão, mas em ritmo mais lento do que o esperado anteriormente.
Enquanto o mundo enfrenta revisões negativas, o Brasil aparece como exceção no relatório. A melhora na estimativa de crescimento para 1,9% reflete fatores internos que têm sustentado a atividade econômica.
Entre eles estão o desempenho do agronegócio, a resiliência do consumo e uma percepção mais positiva de investidores estrangeiros em relação ao país.
Mesmo com desafios fiscais e inflação no radar, o Brasil tem conseguido manter um nível de crescimento estável em comparação a outros emergentes.
A revisão do FMI tende a influenciar decisões de investidores globais. Um cenário de crescimento mais fraco pode aumentar a cautela e reduzir o apetite por risco.
Por outro lado, países que apresentam desempenho relativamente melhor, como o Brasil, podem atrair mais capital estrangeiro.
Esse movimento pode impactar câmbio, bolsa de valores e fluxo de investimentos nos próximos meses.
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O cenário para 2026 permanece incerto. A evolução do conflito no Oriente Médio será determinante para definir o comportamento dos mercados.
Caso haja escalada, novos cortes nas projeções não estão descartados. Por outro lado, sinais de estabilização podem melhorar o ambiente econômico global.
A tendência é de continuidade da volatilidade, com investidores atentos a dados econômicos, decisões de política monetária e desdobramentos geopolíticos.
Apesar das incertezas econômicas, alguns setores seguem em expansão. Dados da ACI-LAC mostram que o tráfego aéreo na América Latina ultrapassou 790 milhões de passageiros, com crescimento de 3,8%.
O destaque foi oAeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos, que liderou o ranking com mais de 47 milhões de passageiros, seguido pelo Aeroporto El Dorado e pelo Aeroporto Internacional da Cidade do México.
O dado reforça que, mesmo em um ambiente global mais desafiador, setores ligados ao turismo e mobilidade continuam mostrando força.
O relatório do FMI revela um mundo marcado por contrastes. De um lado, tensões geopolíticas e crescimento mais lento. De outro, economias emergentes que mostram resiliência e setores que continuam avançando.
Para investidores e governos, o desafio será navegar esse ambiente complexo, equilibrando riscos e oportunidades em um cenário global cada vez mais imprevisível.
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