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Investidores estrangeiros voltam a olhar ações baratas da B3 após quedas

Veja 10 ações baratas da Bolsa brasileira que estão atraindo grandes investidores e podem ganhar força

Investidores estrangeiros voltam a olhar ações baratas da B3 após quedas
Investidores estrangeiros voltam a olhar ações baratas da B3 após quedas - Imagem: Reprodução - Edição: Tribuna Financeira

Mesmo em meio à volatilidade da Bolsa brasileira e à saída recente de capital estrangeiro, algumas ações consideradas baratas continuam despertando forte interesse de investidores institucionais e gestores profissionais. O motivo é simples: muitos papéis negociam abaixo do valor considerado justo pelo mercado, criando oportunidades para quem pensa no longo prazo.

Em momentos de maior cautela econômica, grandes investidores costumam procurar empresas sólidas, lucrativas e descontadas. Esse movimento ganha força principalmente quando o mercado exagera nas quedas e reduz demais o preço de ações que ainda possuem fundamentos relevantes.

Em 2026, setores ligados a bancos, energia, commodities, varejo e infraestrutura seguem entre os mais monitorados por gestores que buscam ativos com potencial de recuperação e valorização futura.

Petrobras continua entre as ações mais observadas da Bolsa

Mesmo cercada por debates políticos e incertezas envolvendo preços de combustíveis, a Petrobras continua aparecendo entre as ações consideradas baratas por diversos analistas do mercado financeiro.

A estatal segue gerando forte caixa com petróleo em patamares elevados e mantém relevância global no setor de energia. Além disso, muitos investidores enxergam espaço para valorização caso o cenário externo continue favorecendo commodities.

Outro ponto que chama atenção é o histórico recente de distribuição de dividendos, que continua atraindo investidores interessados em renda passiva.

Apesar da volatilidade ligada ao ambiente político, a empresa permanece como uma das principais apostas de gestores focados em valor.

Banco do Brasil surpreende mercado com lucro e valuation baixo

O Banco do Brasil também aparece frequentemente nas listas de ações descontadas da B3. Mesmo registrando resultados robustos nos últimos anos, o banco ainda negocia com múltiplos considerados baixos em comparação a outras instituições financeiras.

Parte do mercado acredita que o desconto acontece por causa da percepção de risco político associada ao controle estatal. Ainda assim, investidores destacam a forte geração de caixa, rentabilidade elevada e capacidade operacional do banco.

Além disso, o setor bancário segue sendo um dos principais beneficiados pelos juros elevados no Brasil, cenário que ajuda instituições financeiras a manterem margens robustas.

Analistas apontam que muitos fundos continuam aumentando exposição ao setor bancário justamente em busca de empresas sólidas negociadas abaixo do valor histórico médio.

Vale continua estratégica para investidores globais

A Vale permanece no radar dos grandes investidores por causa da relevância global da mineração e da forte dependência chinesa do minério de ferro brasileiro.

Mesmo enfrentando oscilações relacionadas à economia da China, a mineradora ainda é vista como uma empresa estratégica dentro da Bolsa brasileira.

Especialistas destacam que a ação costuma atrair fluxo estrangeiro em momentos de recuperação das commodities globais. Além disso, a geração de caixa robusta continua sustentando dividendos relevantes para investidores.

O setor de mineração também ganhou atenção adicional após discussões globais sobre infraestrutura, transição energética e demanda industrial.

Setor elétrico volta a ganhar força entre investidores defensivos

Empresas de energia elétrica voltaram a chamar atenção em 2026 por serem consideradas mais resilientes em cenários de volatilidade econômica.

Companhias como Eletrobras, Engie Brasil e CPFL Energia aparecem entre as favoritas de investidores que buscam previsibilidade de receita e distribuição de dividendos.

Além da característica defensiva, o setor elétrico é frequentemente associado à estabilidade de longo prazo, fator importante em momentos de maior incerteza global.

A possibilidade de redução gradual dos juros futuros também favorece empresas consideradas pagadoras de dividendos, aumentando o interesse institucional pelo segmento.

Varejo barato desperta investidores mais agressivos

O setor varejista sofreu forte pressão nos últimos anos por causa dos juros elevados, endividamento das famílias e desaceleração do consumo. Como consequência, várias ações passaram a negociar em níveis historicamente baixos.

Empresas como Magazine Luiza, Casas Bahia e outras varejistas digitais seguem dividindo opiniões no mercado. Enquanto parte dos investidores ainda vê riscos elevados, alguns gestores acreditam que determinados papéis podem apresentar recuperação expressiva caso o ambiente macroeconômico melhore.

A tese principal envolve possível queda futura dos juros e retomada gradual do consumo no Brasil.

Mesmo assim, analistas alertam que varejo continua sendo um dos setores mais sensíveis da Bolsa e exige perfil mais tolerante à volatilidade.

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Empresas de infraestrutura entram no radar de longo prazo

Concessionárias de rodovias, saneamento e logística também aparecem entre os ativos observados por investidores institucionais em 2026.

Essas empresas costumam operar com contratos de longo prazo e receitas relativamente previsíveis, características valorizadas em períodos de instabilidade econômica.

Além disso, o avanço de projetos ligados à infraestrutura nacional mantém expectativas positivas para empresas do setor.

O interesse cresce principalmente porque alguns papéis ainda negociam abaixo das médias históricas mesmo apresentando fundamentos considerados sólidos.

Dividendos seguem sendo diferencial importante na Bolsa

Em um ambiente de juros elevados e incertezas econômicas, ações pagadoras de dividendos continuam atraindo investidores interessados em renda recorrente.

Empresas ligadas a bancos, energia e commodities lideram parte desse movimento porque conseguem distribuir parcela significativa dos lucros aos acionistas.

Especialistas destacam que dividendos reinvestidos ao longo dos anos podem acelerar significativamente a formação de patrimônio.

Além disso, investidores estrangeiros frequentemente observam empresas brasileiras justamente pelo potencial de retorno em dividend yield comparativamente elevado em relação a mercados internacionais.

Mercado segue dividido entre cautela e oportunidade

Apesar do interesse crescente por ações consideradas baratas, o mercado continua dividido sobre o ritmo de recuperação da Bolsa brasileira nos próximos meses.

A alta dos juros americanos, o cenário político doméstico e as incertezas globais seguem pressionando o fluxo estrangeiro na B3. Mesmo assim, parte dos gestores acredita que justamente os momentos de maior pessimismo costumam gerar as melhores oportunidades de longo prazo.

Por isso, investidores profissionais continuam monitorando empresas sólidas que negociam abaixo do valor considerado justo pelo mercado.

Em muitos casos, o foco não está em ganhos rápidos, mas sim em construir posições gradualmente enquanto os preços permanecem descontados.