Notícias / MERCADO IMOBILIÁRIO

Porte de arma para corretores de imóveis tem proposta aprovada

Projeto que autoriza porte de arma para corretores de imóveis avança na Câmara e segue para análise final antes do Senado.

Porte de arma para corretores de imóveis tem proposta aprovada
Porte de arma para corretores de imóveis tem proposta aprovada - Imagem: Reprodução - Edição: Tribuna Financeira

Uma proposta que pode alterar significativamente a rotina dos profissionais do mercado imobiliário brasileiro deu mais um passo importante no Congresso Nacional. A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados aprovou o parecer favorável ao projeto que autoriza o porte de arma de fogo para corretores de imóveis regularmente inscritos nos Conselhos Regionais de Corretores de Imóveis (Creci).

A medida tem gerado debates entre especialistas em segurança pública, representantes do setor imobiliário e parlamentares. O principal argumento apresentado pelos defensores da proposta é que os corretores frequentemente trabalham em situações consideradas vulneráveis, realizando visitas a imóveis localizados em regiões isoladas e encontrando clientes desconhecidos durante negociações e apresentações de propriedades.

Com a aprovação na comissão temática, o projeto avança para uma fase decisiva de tramitação e pode representar uma mudança relevante para milhares de profissionais que atuam diariamente no mercado imobiliário brasileiro.

Atividade profissional é apontada como fator de risco

O relator da matéria na comissão, deputado Capitão Alden, sustentou que a natureza da profissão expõe os corretores a circunstâncias que justificariam um tratamento semelhante ao concedido a outras categorias que já possuem autorização legal para portar armas.

Segundo o entendimento apresentado no parecer, os profissionais do setor imobiliário realizam deslocamentos constantes, visitam imóveis vagos, terrenos afastados e propriedades em áreas rurais, muitas vezes sem acompanhamento e sem conhecimento prévio detalhado sobre os interessados na negociação.

A avaliação é que essas características criam um ambiente de risco potencial, especialmente diante do aumento de ocorrências envolvendo crimes patrimoniais, golpes, furtos e situações de violência registradas em diversas regiões do país.

O tema também ganhou força nos últimos anos após relatos de profissionais que afirmam ter enfrentado ameaças durante visitas a imóveis ou negociações presenciais.

Mudança altera proposta original apresentada no Congresso

Durante a análise do texto, o relator promoveu alterações relevantes em relação à versão inicialmente apresentada.

A proposta original previa limitações específicas para o uso do porte, vinculando a autorização exclusivamente a deslocamentos relacionados à atividade profissional. Além disso, exigia comprovação prévia de agendas de visitas, horários definidos e delimitação territorial das atividades desempenhadas pelo corretor.

Na avaliação do relator, essas exigências poderiam criar obstáculos práticos para o exercício da profissão. Isso porque o mercado imobiliário frequentemente exige deslocamentos de última hora, alterações de roteiro e reuniões marcadas em curto prazo, fatores que dificultariam a comprovação antecipada das atividades.

Por essa razão, o parecer aprovado retirou essas restrições, tornando o texto mais amplo e alinhado à dinâmica cotidiana da categoria.

Outra alteração importante foi a decisão de incorporar a hipótese diretamente ao Estatuto do Desarmamento, incluindo os corretores entre as exceções previstas na legislação que regula o porte de armas no Brasil.

Exigências para obtenção do porte continuam previstas

Apesar do avanço da proposta, o eventual direito ao porte não seria concedido de forma automática.

O projeto mantém a necessidade de cumprimento de requisitos técnicos e psicológicos para os profissionais interessados. Os corretores deverão demonstrar capacidade técnica para o manuseio de arma de fogo e aprovação em avaliações psicológicas específicas.

Essas exigências seguem modelo semelhante ao aplicado atualmente a outras categorias autorizadas a portar armas em razão da função desempenhada.

A intenção é garantir que apenas profissionais considerados aptos possam acessar a autorização, preservando critérios mínimos de segurança e responsabilidade no uso do armamento.

Especialistas destacam que os procedimentos de avaliação representam uma etapa fundamental para equilibrar o direito concedido com as exigências de controle previstas na legislação brasileira.

Leia mais: 

Mercado imobiliário acompanha discussão com atenção

A proposta desperta interesse direto de um setor que movimenta bilhões de reais anualmente e reúne centenas de milhares de profissionais em todo o país.

O trabalho dos corretores envolve desde visitas a imóveis residenciais até negociações de empreendimentos comerciais, áreas rurais, galpões industriais e terrenos localizados em regiões afastadas dos centros urbanos.

Com a crescente digitalização do mercado imobiliário, muitas etapas passaram a ocorrer online. Entretanto, a visita presencial continua sendo um dos momentos mais importantes da jornada de compra, venda ou locação de imóveis.

Por isso, a discussão sobre segurança profissional tem ganhado relevância dentro do setor. Entidades representativas acompanham o andamento da proposta e observam os possíveis impactos que uma eventual aprovação definitiva poderá trazer para a atividade.

Além da questão da proteção individual, o debate também envolve aspectos regulatórios, custos de treinamento, fiscalização e responsabilidades decorrentes do uso de armas por profissionais civis.

Próximos passos podem definir o futuro da proposta

Após a aprovação na Comissão de Segurança Pública, o texto seguirá para análise da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados.

Essa etapa será determinante para verificar a compatibilidade jurídica e constitucional da medida. Caso receba parecer favorável, a proposta poderá seguir para apreciação do Senado Federal.

Como a tramitação ocorre em caráter conclusivo nas comissões, não haverá necessidade de votação no plenário da Câmara, salvo se houver recurso para isso.

O avanço do projeto ocorre em um momento de intensos debates sobre segurança pública, regulamentação do porte de armas e proteção de profissionais que exercem atividades consideradas de risco.

Independentemente do desfecho final, a discussão já coloca em evidência uma demanda crescente por mecanismos de proteção para trabalhadores que atuam diretamente em negociações presenciais e em ambientes potencialmente vulneráveis.

Nos próximos meses, a análise da CCJ deverá indicar se a proposta continuará avançando ou se enfrentará obstáculos antes de chegar ao Senado, etapa que poderá definir o futuro da medida e seus impactos para o mercado imobiliário brasileiro.